Sonhar com um tempo em que a escola não era pra todos, mas apenas para "quem queria" ir à escola(sic).
Estou querendo saber que tempo foi esse, que eu não conheci.
Da minha parte, eu fui um aluno medíocre, tanto quanto qualquer criança saudável. Afinal, qual criança em sã consciência nasce afim de ficar preso durante cinco horas diárias?
Não vou radicalizar e comparar escola a presídios, não acho que chegue a tanto, embora no aspecto físico essa semelhança seja cada vez maior. Cabe uma discussão sobre isso...
Mas com toda certeza passar cinco horas, muitas vezes cozinhando no calor do verão, sem poder beber água, sem ter o direito de ir ao banheiro livremente, bem isso não me parece muito saudável.
E convenhamos, escola é mesmo uma coisa muito, mas muito chata. Sou capaz de entender a angústia dos meus alunos, mesmo sabendo que desse aspecto da escola, não dá para fugir (vou discutir isso também em outro "post").
Como eu já disse, sofro os mesmos males dos meus colegas, mas mesmo assim, sou capaz de entender uma coisa essencial: nós não lidamos com o ideal, mas com o real. Por trás dessa romantização da escola de antigamente, há na verdade uma tremenda dificuldade de adaptação ao mundo real.
E como a escola, está efetivamente aberta para todos, esses meus colegas sofrem muito, pois não conseguem se sentir parte desse movimento de abertura da escola, não conseguem aceitar o mundo de perspectivas diferentes trazidas pelos novos integrantes do corpo discente, gente que nem sempre tem pais e mães como nós (cremos que) temos ou tivemos, gente que vem de outras camadas sociais muito mais distantes da nossa realidade de classe média freqüentadora de botecos com música ao vivo e teatros do SESC.
Estamos sofrendo um legítimo choque cultural, que precisa urgentemente ser explicitado, para que os conflitos sejam resolvidos de maneira pacífica. Mas que ninguém se iluda, os conflitos não se encerrarão. O professorado precisa aprender a resolver conflitos usando mais do que um "cala-a-boca".
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